Antônio Carlos dos Santos Xavier


 

Doutor em Lingüística pela UNICAMP, Mestre em Lingüística pela UFPE e professor na graduação e Pós-graduação em Letras da UFPE. Atua nos cursos de Letras e Comunicação social. Realiza pesquisas e orienta trabalhos nas áreas de Linguagem e Tecnologias eletrônica e digital, capacitação profissional de docentes em letramento e gêneros digitais, Filosofia da Lingüística, Lingüística de texto e Semântica. Coordena o NEHTE - Núcleo de Estudos de Hipertexto e Tecnologias na Educação. Proferiu palestras e publicou vários artigos sobre a linguagem da/na Internet, seu principal tema de investigação no momento. Organizou os livros Conversas com lingüistas: virtudes e controvérsias da lingüística publicado pela Parábola Editorial e Hipertexto e Gêneros Digitais: novas formas de construção de sentido em parceria com Luiz  Antonio Marcuschi, editado pela Lucerna.Currículo Lattes. E-mail: tonix@uol.com.br

 

 


 

 

1 - O que caracteriza o hipertexto? Quais são as suas especificidades?

É possível encontrar definições de hipertexto em várias áreas do saber que o têm estudado mesmo antes das ciências humanas perceber sua chegada e importância na sociedade. Assim, a Ciência da Computação, a Cibernética, a Inteligência Artificial e todos os pesquisadores que trabalham com sistemas de informação e comunicação fomentados pelas tecnologias digitais, além de áreas como Física Teórica (especialmente a Teoria dos Fractais), Biologia (molecular) e Medicina, etc. A atenção dos cientistas sociais voltou-se bem recentemente para as questões do hipertexto. Data de 1991 a criação do primeiro sistema de hipertexto baseado em www (world wide web) ou rede de alcance mundial, por Tim Banners Lee do CERN, laboratório suíço de física de partícula. O navegador criado por Lee permitiu uma interface muito mais amistosa entre usuário comum e o computador, até então acessível a apenas alguns especialistas ou “nerds”. No Brasil, as primeiras reflexões em torno do hipertexto sob o olhar das ciências humanas chegaram pelos livros do filósofo francês Pierry Lévy. Mas fora do Brasil a discussão sobre os efeitos do hipertexto na educação e na vida social e profissional das pessoas em geral já estava bastante aquecida principalmente entre educadores americanos e australianos, psicólogos britânicos, franceses, portugueses e belgas. Do ponto de vista das pesquisas que tenho desenvolvido ultimamente nas quais enfoco a linguagem, a definição de hipertexto que tenho utilizado considera-o um dispositivo digital semiolingüístico composto por textos verbais, imagens e sons, que por serem acessíveis simultaneamente, demanda estratégias de percepção e processamento cognitivo próprios, bem como permite uma nova maneira de lidar com os códigos da escrita alfabética. O hipertexto apresenta as seguintes características: virtualidade (intangível, mas realizável), ubiqüidade (uma vez on-line, ele está acessível a qualquer lugar do planeta), Plurisemiose (hospeda palavras, gráficos, imagens, sons compativelmente no mesmo espaço de percepção, a tela do computador), hiperintertextualidade (dialoga com outros hipertextos por meio dos links de modo instantâneo), deslinearidade (permite ao usuário fazer uma leitura não-seqüencial, sem hierarquia pré-determinada ao clicar nos links e “pular” para outro hipertexto imediatamente; para o autor ou produtor do hipertexto, essa não-linearidade é constitutiva já no ato de sua criação/produção, pois ele pode disponibilizar um link para um certo hipertexto e não fazer o mesmo para outro), fragmentaridade (os links ou nós criam um labirinto que se abre a vários caminhos e acessos aos mais de 6 bilhões de hipertextos já indexados à Internet). Entretanto, acredito que a magia maior do hipertexto está na possibilidade que o navegador tem de acessar todo tipo de informação de modo democrático, veloz e barato em relação às outras mídias.

 

2- O que caracteriza os gêneros virtuais (ou digitais)?

Talvez o que mais caracteriza os novos gêneros de texto que têm emergido com a chegada das novas tecnologias de informação e comunicação seja a possibilidade de o sujeito de linguagem se constituir e se revelar enquanto tal de forma livre, aberta e descomprometida. Essa possibilidade de se sentir autor e poder compartilhar suas opiniões instantaneamente com conhecidos e desconhecidos leva os internautas a ler mais e interagir mais e, dessa forma, construir suas próprias opiniões, rever seus pontos de vistas, reformatar seus conceitos e despir-se de preconceitos. Em uma palavra, tornar-se cidadão pelo uso da palavra, pois a Internet permite que esse sujeito-cidadão transcenda ao seu território de convivência social imediata e ganhe universalidade. Do ponto de vista propriamente lingüístico, os textos digitais tendem a ser mais pragmáticos, porém não perdem a sutileza, já que podem ser acompanhados por imagens estáticas ou dinâmicas e sonoridade, convergência semiótica só possível pelo advento das tecnologias digitais de comunicação. Até porque essas tecnologias que permitem a criação de gêneros não-literários inéditos como E-mail, Chat, E-fóruns, Blogs, Fotlogs, têm permitido também a criação de gêneros literários como Hiperficção colaborativa (que possibilita a modificação no enredo da história à escolha dos leitores, que também podem clicar em links e determinar o fim da trama de uma maneira ou de outra) e Fanfics (ficção escrita por fãs que podem agora reescrever histórias clássicas ou inventar novas histórias para conhecidos personagens e vê-las publicadas na Internet). Diria que os gêneros digitais tornam as relações humanas envolventes e os usuários mais criativos, pois disponibilizam-lhes recursos ou semioses (ícones, imagens e sons) atraentes que podem tornar o discurso mais agradável e persuasivo.

 

3- O que diferencia a linguagem usada na internet das outras manifestações lingüísticas?

De pronto diria que a diferença maior certamente é a utilização do computador plugado à grande rede de informação. Como os gêneros não nascem do nada, mas sempre derivam ou se transmutam de outros já existentes em razão das necessidades de comunicação e interação humanas que vão surgindo no devir da história, bem como são viabilizados por invenções tecnológicas, diria que a linguagem empregada na Internet reflete as novas possibilidades de recursos agora disponíveis ao usuário. Imaginemos a escrita antes da separação das palavras, da criação dos sinais diacríticos, do sistema de divisão por paragrafação e capitulação, etc. Hoje os internautas têm reconfigurado todos esses dispositivos e os têm reutilizado de outra forma, a fim de atender suas novas necessidades de comunicação atuais diante do pouco tempo disponível e da enorme quantidade de atividades a realizar. Assim, o “internetês” representa uma nova maneira de lidar com a linguagem e gerenciar as diversas atividades e interlocutores, conscientes de que o ciberespaço tem suas próprias demandas e especificidades. A interação na Internet é mais uma forma de usar a linguagem cujos usuários devem estar alerta para as características que a constituem e que devem ser observadas, assim como acontecem nas diversas outras esferas e domínios de uso do discurso.

 

4- Apesar de toda a diversidade lingüística nacional (variações regionais), percebemos que os recursos usados para comunicação entre internautas parecem seguir alguns padrões, apesar da aparente "desordem" lingüística. Os internautas de todo o Brasil conseguem se compreender perfeitamente, pois utilizam os mesmos sinais gráficos, abreviaturas, emoticons, etc. Como o senhor explica esse fenômeno?

Você diz bem, “aparente desordem”, pois há uma ordem ou uma ‘gramática’ própria que é seguida com freqüência pelos usuários da internet em geral. Enquanto linguagem, não há o que se estranhar o fato de serem quase os mesmo sinais e abreviações utilizadas por eles, pois é por um sistema mais ou menos uniforme que uma língua se constitui, se propaga e se estabelece como código de comunicação de uma coletividade. Acho que há muito pouco sotaque net porque o universo de ‘palavras’ utilizadas nela não é muito variado, já que a brevidade e a rapidez são os imperativos centrais que orientam a escrita na rede. Exceção se faz com os novos gêneros literários criados na e pela Internet tais como os que já mencionei. Mesmo quando há o uso de palavras próprias de uma região, o contexto esclarece o sentido desta l como no mundo real da linguagem ordinária. Por outro lado, acredito que a reconfiguração que os internautas têm feito dos sinais de pontuação (novos usos para ponto, vírgula, dois pontos, parênteses etc.) para formarem os emoticons [ :-) ;-) ;-( ] é muito clara. O uso constante faz com que qualquer ser normal aprenda o que eles significam. Por outro lado, as abreviações das palavras não são sempre as mesmas. Há variação no texto dos próprios internautas que grafam diferentemente as mesmas palavras tais como abraço = “abç e “[]´s” ou cadê = “cd” e “kd” entre outras que vão sendo abreviadas ao gosto do usuário sem prejuízo à compreensão do interlocutor. Por último, a interação na Internet também se dá pelo auxílio das imagens e dos ícones que são acrescidos ao texto verbal em razão da facilidade que os programas permitem a tais operações.

 

5- Com o surgimento dos "e-books", o senhor acredita que haverá a substituição gradual dos livros tradicionais de papel, até a sua completa extinção, ou "nada substitui o livro"?

Essa é uma boa discussão já bem realizada na América do Norte e na Europa em geral. Trata-se de uma a questão que envolve interesses econômicos da poderosa indústria editorial. Acredito que estamos vivendo um momento privilegiado da história da civilização, pois estamos no exato momento de transição entre a Cultura Escrita e a Cultura Digital. Ambas convivem simultaneamente. Explico. A primeira teve início desde a invenção da escrita pelos gregos no século VIII a.C., mas ganhou força e adquiriu os contornos atuais depois da invenção da prensa por Gutenberg no século XV. Nos anos 1970 a 1990 do século passado, a civilização de um modo geral passou a conviver com uma série de inovações tecnológicas que exigiram mudanças em vários setores da vida humana. Certamente essas mudanças também atingiram a forma de lidar com a escrita, com os diversos gêneros já criados e com os gerados pelas novas formas de acesso e transmissão de informação. Assim, não vaticinaria categoricamente o fim do livro enquanto tal. Antes concordo com a reflexão de Umberto Eco, um intelectual italiano de renome internacional, semioticista, romancista, crítico literário e bibliófilo (possui mais de 40 mil títulos distribuídos por suas quatro casas), para quem algumas formas de publicação serão superadas imediatamente, haja vista as transformações que temos percebido nas edições das enciclopédias e dicionários. É possível que livros de romance, por exemplo, continuarão a serem publicados de modo tradicional durante muitos anos, até porque o preço dos e-books continua fora da realidade de muitos. Mas assim como todos os equipamentos eletrodigitais têm tido em via de regra uma diminuição considerável em seus preços à medida que perdem o efeito novidade, é possível que daqui a mais uma década eles adquiram preços populares e assim se tornem mais acessíveis ao grande público leitor de boas história. Esses por sua vez terão que se adaptar a ler na tela de cristal líquido. Quem viveu a era dos pergaminhos jamais poderia imaginar as encadernações luxuosas das brochuras em celulose dez séculos depois. Somos de uma geração que tem o livro como um objeto de fetiche, um símbolo de sabedoria, mas ele não passa de mais uma superfície de escrita, é um mero suporte de texto assim como foram a argila, o papiro e as peles de animais. O tempo dirá quantas gerações serão necessárias para a realização total da mudança do livro para os E-books, note-books, laptops ou palm-tops que já invadiram o cotidiano dos cidadãos de médio poder aquisitivo.

 

 

6- A língua usada na internet é uma modalidade falada por escrito ou uma modalidade escrita com erros ortográficos? Como o senhor compreende os recursos usados nas manifestações eletrônicas?

Primeiro, é preciso definir o que são erros ortográficos. Nosso sistema de notação busca reapresentar as formas faladas da língua por escrito. A ‘concretude’ da escrita em relação à fala permitiu que aquela conquistasse mais prestígio social que essa pela durabilidade e historicidade dos contratos efetuados em sociedade. Para isso, a grafia das palavras tornou-se uma questão de convenção legal, isto é, um conjunto normatizado de regras que estipulam como devem ser grafadas as palavras avaliadas pela ABL (Academia Brasileira de Letras) e confirmadas pelo Congresso Nacional dos países lusófonos. Assim, na Internet, o locus da liberdade de expressão, os usuários se sentem à vontade para escrever sem amarras, sem vigilância e sem o medo de punição. Protegidas pelo anonimato ou não, a transgressão à norma da língua escrita passa de exceção à regra. Grafar diferentemente as palavras se tornou também uma forma de utilização criativa da grafia das palavras, um conjunto de sugestões igualmente válidas para reapresentar as palavras por escrito. Sem dúvida, os internautas sabem que aquelas ‘transgressões’ têm seu espaço adequado que são os chats, blogs e alguns e-mails.Todavia, percebem que o grau de transgressão da grafia vai variar se o e-mail é dirigido a um amigo próximo ou a alguém que lhe é hierarquicamente superior. Os sites que publicam Fanfics, por exemplo, não aceitam histórias cujos textos contenham transgressão às normas gramaticais e ortográficas da língua. Sabendo disso, aqueles que querem ver suas histórias ‘apócrifas’ publicadas na Internet devem obedecer a todas as regras da língua padrão. Esses que se submetem suas histórias ao crivo dos editores dos Fanfics são os mesmos que mantém seus blogs e que conversam nos chats com grafias não convencionais para as palavras. Ridículo é alguém ir à praia de terno e gravata ou entrar numa missa de sunga de banho. É uma questão de adequação ao gênero esperado. Sendo assim, é preciso que os professores de língua materna alertem seus alunos para este fato, pois como estão em formação, precisam que alguém lhes lembre o tempo todo que se trata de adequar a escrita, a grafia ao gênero. Impedi-los de usar a Internet como forma de evitar que tragam para escola a forma que lá escrevem, como sugerem alguns, é uma grande bobagem, pois quando eles usam a rede no mínimo estarão lendo bastante e escrevendo muito também. A escola pode aproveitar bem todo o deslumbramento que a net tem causado nos alunos para levá-los a retextualizar tais textos no formato e nos gêneros solicitados no espaço escolar.

 

 

7- E quanto ao e-mail? Ele pode ser considerado um gênero virtual/digital? Quais as características que o definem como tal?

Sim. Muitas pesquisas apontam para o fato de o e-mail ser um gênero digital tal como uma carta ou um bilhete. Nós até intuitivamente fazemos a distinção quando dizemos “vou lhe mandar um e-mail” que é diferente de quando dizemos “vou lhe mandar por e-mail”. No primeiro caso, estamos nos referindo ao novo gênero digital, no segundo estamos nos aludindo à propriedade do programa de correio eletrônico que permite não só o envio da mensagem no corpo do gênero referido, mas gêneros outros anexados a ele. Embora derive e guarde muitas semelhanças com os gêneros bilhete e carta, o e-mail é um gênero diferente de ambos, na forma, no conteúdo e na funcionalidade comunicativa. Há vários e bons estudos já publicados em formato digital e em celulose hoje no mercado brasileiro. No Cd-rom do HIPERTEXTO 2005, isto é, I Encontro sobre hipertexto: desafios lingüísticos, literários e pedagógicos da UFPE há mais de uma dezena de pesquisas realizadas tomando o e-mail como objeto de investigação. Entre as obras mais recentes que enfocam o e-mail como gênero digital, duas a meu ver se destacam. O capítulo 2 do livro Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido que traz um artigo de Vera Lúcia Menezes, intitulado E-mail: um novo gênero textual, e outro estudo que delineia bem as características e especificidade do e-mail em relação ao gênero carta veio a público há poucos meses. Trata-se de E-mail e Carta Comercial do professor Normélio Zanoto. O estudo é interessante por fazer uma relação constrastiva entre a carta no ambiente empresarial e as mensagens eletrônicas. Ambos são publicações da Editora Lucerna.

 

8- O que é "Netiqueta"?

São as sugestões de etiquetas e de comportamento para os usuários de Internet. São regras criadas coletivamente pelos internautas a fim de organizar um pouco as ações discursivas realizadas no espaço virtual. Assim, ela não funciona como um conjunto de normas às quais os usuários devem obedecer sob pena de serem punidos. Não. Elas funcionam apenas sugestivamente, como: produzir textos curtos, claros e objetivos; não enviar mensagens não solicitadas a exemplo das correntes e propagandas que dificultam o tráfego de informações na rede; especificar o assunto da mensagem no espaço reservado para tal, a fim de ajudar o leitor a selecionar as mensagens a serem lidas com prioridade; evitar enviar mensagens ofensivas para não gerar brigas na rede; recomenda-se ser conservador quando escreve e liberal quando recebe uma mensagem; entre outras regras que visam facilitar o uso da rede e a interação harmoniosa entre os internautas.

 

9- O surgimento e utilização cada vez mais ampla do e-mail sugere o fim das cartas via correio?

Bom, todas as invenções humanas têm um tempo de vida útil e são criadas para atender as necessidades sociais da civilização em um dado momento da história. O desenvolvimento das assinaturas criptografadas, ou seja, codificadas numericamente de modo seguro para o proprietário e para o destinatário poderão tornar desnecessário o envio de documentos por correio tradicional como forma de validar contratos por causa das assinaturas manuais autenticadas em cartórios. Como sabemos, a criptografia tem um alto potencial de inviolabilidade em relação ao sistema manual dos tabeliões. Os cartões de congratulações em papel começam a se tornar cada vez menos utilizados e passam a ser substituídos pelos cartões virtuais em razão da praticidade e baixo custo. Isso revela que estamos vivendo em um novo momento da história, cujos hábitos tendem a se modificar paulatinamente. Com o aumento do número de pessoas alfabetizadas e sua conseqüente inclusão no mundo digital, a Internet ganhará mais e mais usuários de seus gêneros; logo, logo haverá mais produtores de e-mails do que de cartas tradicionais, uma vez que não é difícil constatar que pouquíssimos internautas de hoje ainda utilizam as tradicionais epístolas para fazer suas comunicações pessoais e até mesmo profissionais.

 

10 - Existe um padrão para a redação /organização do texto em e-mails?

Como disse antes, há sugestões que expressam expectativas de como o texto do e-mail deve ser produzido em razão da prática cotidiana. Mas em geral, é preciso que haja no e-mail um assunto, no espaço apropriado resumindo o tema a ser tratado no corpo do e-mail; deve aparecer uma abertura no nível coloquial de linguagem, ou seja, sem a cerimônia comum aos pronomes de tratamentos; são esperadas também frases curtas, diretas e objetivas com estruturas sintáticas canônicas (sujeito + verbo + complementos e adjuntos temporais), bem como operadores argumentativos usuais tais como ‘mas’, ‘e’, ‘pois’, para indicar pouca formalidade. Também se espera que haja um encerramento com expressões cordiais no fim da mensagem tal como aparecem há no fim dos diálogos face a face e na maioria das mensagens escritas nos mais diversos gêneros textuais. Abreviação só com internautas mais íntimos que certamente não estão muito preocupados em julgar o amigo pela forma, mas estão focados no conteúdo que ele está procurando comunicar. Em geral nenhum usuário do gênero e-mail precisou de aulas na escola para poder produzir um. Todos nós sabemos pela experiência direta como se estruturam os gêneros mais usados em nossa sociedade. Sabemos o que podemos e o que não podemos fazer nos gêneros textuais que usamos. Mesmo quando violamos algumas de suas características não deixamos de ver nosso objetivo alcançado por causa da transgressão ao gênero. Outros motivos levam nossos interlocutores a não nos atender em nossas mensagens, estejam elas inseridas no e-mail informal, ou bem apresentadas num requerimento formal.

 

11 - Quais são as perspectivas para o futuro quanto ao uso da internet como "canal" para criação de novos gêneros ou formas de comunicação?

Como vimos, a Internet permitiu a criação de gêneros de texto impensados fora do computador conectado on-line. E-mails, chat, e-fóruns, blogs, fotlogs, hiperficções colaborativas, fanfics. São vários gêneros criados em muito pouco tempo de existência da Net. Possivelmente, quanto mais pessoas tiverem acesso à rede, mais cabeças criativas estarão pensando novos modos de utilizá-la para dar conta de suas vontades e necessidades informacionais e comunicativas. Uma observação mais superficial nos permite afirmar que sim, muitos outros gêneros digitais devem surgir como produto da inesgotável criatividade humana agora muito bem assessorada pelos instrumentos tecnológicos de ponta.

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